amor é quando você se sente amado sem precisar ouvir um eu te amo.
Eu queria ficar triste por nós, queria chorar e lembrar de todos os momentos românticos e inesquecíveis que tivemos mas só consigo pensar em como você jogou baixo esse tempo todo .
Tão lindo e tão profundo quanto uma poça de água suja, você me mostrou o que eu queria e me fez te amar loucamente embasada unicamente no ilusório vislumbre de que talvez você me amasse de volta. Foi uma armadilha cruel; você se aproveitou de sua experiência e da minha falta dela e adentrou sorrateiramente pelo meu coração congelado e com palavras e olhares ardentes derreteu todo o vestígio de amor próprio que havia dentro de mim.
Foi tão sujo e covarde que eu me esqueci de quem eu era, aquela necessidade incessante de me tornar especial e suficiente sufocava qualquer tentativa de manter a dignidade e seus olhos astutos observavam cada reação com interesse, como se eu fosse um rato no seu laboratório. E você experimentou sem pena as mais diversas formas de me ferir e como eu reagiria, montou em cima de todos os meus medos e inseguranças e fez de mim seu brinquedo particular, aquele que você conhecia todas as peças e desmontava quando bem entendia.
E eu passei anos entorpecida, acreditando que você fosse o príncipe encantado. Juro que pensei que você amava todas as minhas feridas sem perceber que você mesmo causou boa parte delas, e tomei tanto o veneno que você me servia amorosamente com pequenas palavras e ações que passei à confundi-lo com o próprio elixir da vida.
Eu necessitava de você a ponto de enlouquecer e você se aproveitava disso para ter o que quisesse. Tentei fechar os olhos, anestesiar a dor e normalizar tudo aquilo que você fazia e me machucava , mas a voz da consciência gritava lá do fundo da minha alma que algo estava errado porque não era normal essa dependência, não era normal ficar tão insegura, não era normal ser substituída e ter que abrir mão dos meus sonhos por alguém. Mesmo assim eu insisti, dei soco em ponta de faca, como diz minha mãe, e saí dessa briga em pedacinhos enquanto você sorria, saia com os amigos e dormia tranquilamente durante a noite sem sequer olhar para o céu pensativo.
Na verdade, sempre estive sozinha quando estava com você , porque quando nossas palavras são abafadas e nossos sentimentos ignorados, nós gradativamente deixamos de existir, de estar…e você é o melhor em me fazer desaparecer. Eu me sentia pequenininha quando estava com você como se pudesse ser acidentalmente pisoteada a qualquer momento e reconhecer o quanto tudo isso foi errado e injusto foi uma das coisas mais dificeis que fiz, porque lá no fundo eu queria manter a lembrança ilusória de que fui amada, de que não era tudo um mero joguinho para massagear seu ego inseguro e deformado de homem babaca e manipulador, mas não foi real, não foi amor .
O amor não machuca como você me machuca, não te faz acabar com seu próprio corpo só pra caber no molde de alguém, o amor não dorme tranquilo enquanto o outro chora e não sorri as custas das suas feridas. Você era apenas egoísta e não foi lindo, foi sujo, jogo baixo e me enganou lindamente.
Mas foi a última vez que alguém me machuca assim.
- Crônicas de um amor perdido (esconder-se)










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